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BREVEMENTE NOVO LIVRO DE:LUIS ROXO

  • Foto do escritor: Luis Roxo
    Luis Roxo
  • 3 de set. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 5 de set. de 2025

BR

EVEMENTE NOVO LIVRO DE:LUIS ROXO 2026

ADEUS LISBOA

Lisboa não acabou numa manhã de nevoeiro, nem ao som do fado.

Acabou quando deixei de saber o nome das ruas.

Quando entrei no elétrico e não reconheci o cheiro da madeira,

nem os olhos da mulher que lia ao meu lado um jornal sem data.

Lisboa morreu dentro de mim com um beijo que não se dá,

com uma carta que não se envia, com uma palavra que nunca se disse.

Eu parti.

Mas o que partiu comigo não era um homem.

Era uma memória em forma de corpo que se dissolvia

nas sombras dos passeios.

Eu, Afonso, era o silêncio lágrima que me saltava dos olhos,

a memória tatuada no corpo,

o quadro inacabado do meu fado...

E mesmo assim, caminhei.

Carregando nos ombros as vozes que já não ouvia,

as varandas de ferro forjado onde jurei voltar,

os pregões apagados nas esquinas onde um dia me soube inteiro.

Havia em mim ainda o eco de Fernando,

as angústias de Álvaro,

os delírios de Mário,

as perguntas de Saramago.

Todos se sentavam comigo à mesa do tempo,

e juntos brindávamos ao que nunca foi.

Passei diante da casa amarela onde morava uma infância.

Já não havia cortinas. Nem hortênsias.

Apenas o som de um rádio antigo, muito ao longe,

cantando uma canção que não soube esquecer.

Eu era ruína.

Ruína que fala. Que sente. Que espera.

E Lisboa, essa, seguia viva para os outros —

mas morta em mim,

porque já não sabia amar com os olhos abertos.

Fiquei, então, no limiar.

Entre a palavra e o esquecimento.

Entre o que fui e o que finjo ser.

A última página por escrever.

O fim que nunca termina.

E se um dia, ao dobrares uma rua, ouvires um nome sussurrado pelo vento,

poderá ser o meu. LUIS ROXO


 
 
 

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© 2025 por Luís Roxo. Orgulhosamente criado por: POETURA/Portugal/Brasil

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